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Como usar o Dixit em terapia

Dixit é um jogo muito interessante para ser usado em outras atividades, como por exemplo a terapia. Recentemente recebi um e-mail de uma terapeuta pedindo ajuda para usar o Dixit em seus atendimentos, visto que as imagens são incríveis (e doidas) e isso facilita o acesso ao subconsciente.

Da nossa troca de e-mails veio a ideia de compartilhar com mais terapeutas e profissionais como usar o Dixit para extrair, com criatividade, leveza e dinamismo matéria psicológica de seus clientes. Dessa forma trazendo para os encontros incríveis insights sobre um evento, percepção sobre si mesmo e etc.

Nesse post eu compartilho com você 7 formas de usar o Dixit em terapia, espero que você aproveite.

Acessando informações

Antes de começar, lembre que as interpretações das imagens é o que você está buscando. Cada imagem ativa, como um gatilho, sentimentos e sensações da pessoa que são evocadas por lembranças. Assim como o cheiro do bolo de fubá lembra o café da tarde de minha mãe e o cheiro de pão na chapa lembra minhas manhãs com meu pai, as imagens trazem essas memórias.

O grande segredo para o profissional é não julgar enquanto o cliente está escolhendo ou comentando sobre as cartas. Dessa forma, o lúdico tem o papel poderoso de enganar o consciente e trazer à luz algum assunto ou percepção da pessoa. Faz sentido até aqui?

Então, lembre-se de ser totalmente neutro. Deixe as incríveis (e loucas) imagens fazer o trabalho.

Cartas incríveis para acessar material psicológico com o Dixit.

7 formas de usar o Dixit em Terapia

01. Carta Única

Com todas as cartas do seu jogo embaralhadas você pode abrir um leque em sua frente, dispor na mesa ou pedir para seu cliente puxar uma única carta do baralho, após ter pensando em alguma coisa. Pode ser uma informação para a semana, como no Tarô, ou pode ser algo relacionado ao evento que vem trabalhando ou sobre si mesmo. Você saberá a razão para a “puxada” de uma única carta.

Com uma carta em mãos peça para que o cliente explique a carta e os sentimentos que ela traz. Sem julgamentos escute e estimule a resposta, lembre-o que não há certo ou errado nessa “brincadeira”, apenas as percepções dele. Ao final, se não fez, peça para que relacione com o objetivo do jogo.

Essa “tiragem” é rápida, bacana e efetiva, pois faz o cliente pensar e sentir, abrindo a porta para o diálogo.

02. Tipo um Tarô

É inegável o poder das imagens somado ao campo morfogenético, que trazem juntos muita informação se bem explorado. Agora, vamos imaginar as cartas como se fossem cartas de um Tarô, porém que fará a leitura é o próprio cliente. Pois é a interpretação dele que importa, não é mesmo?

Então a gente pode fazer dois tipos de tiragem de 3 cartas. Deixando ainda rápido o processo informativo.

Método 01: Presente, Passado e Futuro
Método 02: Problema, Solução e Resultado

Uma tiragem com vários significados. Nesse foi Problema, Solução e Resultado. Qual seria sua interpretação?

Agora, o que fará? Abra um leque na mesa com as cartas e deixe o cliente sentir qual carta representa, por exemplo, seu presente, seu passado e seu futuro. Eu recomendo abrir a primeira, ter a informação, em seguida abrir a segunda, obter mais conteúdo e, por fim, abrir a terceira e obter a informação da carta e a visão geral do “tarô”.

Eu que sou doido com tarôs e oráculos, fico feliz com as cartas que tiro para mim, pois no Dixit as cartas são muito complexas e isso abre uma gigantesca porta para a imaginação e interpretação.

03. Sim e Não

Esse é um método um pouco mais lento e pode levar metade ou quase toda sua sessão de terapia, onde considero aqui 50min a 1h, certo?

Peça para que o cliente pegue o baralho em sua mão e crie dois montes. Assim, ele irá analisar uma carta de cada vez e separar de um lado as cartas que SIM, ele se identifica e do outro lado as que NÃO se identifica ou não gosta. Escolha as palavras que fizerem mais sentido para você e seu cliente.

Ao final, peça para o cliente examinar as cartas e busque entender a correlação entre elas. Há algo em comum? Por que se atraiu por essa? E assim por diante. Agora, você pode fazer seu trabalho investigativo na mente do cliente, para ele ir revelando aos poucos uma possível personalidade ou momento de vida.

Lembrando que não existe certo ou errado.

04. A história que eu conto…

Esse é divertido e seu cliente precisará de estimulo e segurança para criar. Portanto lembre-o de estar em um lugar seguro para esse jogo.

Aqui, o cliente irá contar uma história baseada em uma carta que tirou às cegas do baralho, use seu método. Porém, ele deve sair com uma carta. Assim, o objetivo é ele pegar essa carta e contar uma história. Preste atenção nas palavras usadas, nos personagens e tudo mais. Após o exercício da história, questione sobre uma possível relação da história com alguma situação da vida da pessoa. É incrível como bate!

05. Histórias que se completam

Bem parecido com o item 04, porém, dessa vez, o cliente irá tirar de 3 a 5 cartas. Assim, irá contar a história de uma carta, emendar com a próxima e assim por diante. Sairá uma história mais complexa, que é necessário observar e apoiar o cliente para ele não desanimar durante a criação, pois irá exigir muito dos neuronios da pessoa.

Lembre de encerrar com os questionamentos sobre a história e a relação com a vida, tema da sessão ou o que estiverem trabalhando.

06. Seu momento “agora”!

Bem similar ao item 01, porém com uma pegada bem tarô. Peça para o cliente, ao final ou início da sessão, para tirar uma carta que represente seu momento agora. Virá uma carta louca do Dixit e peça para a pessoa interpretar. Deixe a curiosidade fluir e faça perguntas para estimular a criatividade.

O resultado pode ser surpreendente!

Será que o convite era para parar de estudar e colocar em prática? Acrescentar diversão aos estudos? O que seria?

07. Identificando Pessoas

Ideal para quando há conflitos a serem tratados, mas pouca informação é obtida do cliente. Peça para o cliente, em um post-it, colocar os nomes das pessoas. Pode ser família, como pai, mãe e irmão, ou outras pessoas, como amigos, namorado e etc.

Dessa forma, com tudo disposto na mesa ou no chão, peça para o cliente escolher uma carta para cada “nome”. Assim, cada carta, bem selecionada, irá caracterizar (ou personificar) uma pessoa. Em seguida, peça para o cliente apresentar as pessoas com nome e descrição da carta.

As descrições, anote, pois são informações ricas para suas sessões sem o jogo.

Terapeutiando com o Dixit

Gostou das ideias de como usar um simples jogo, além da sua caixa e do seu propósito? Essas são ideias para você testar e me contar depois como funcionou para você.

Lembre, que o objetivo é você ter um jogo que simplifica o acesso ao subconsciente e ao material psicológico que às vezes não é revelado em uma conversa aberta, tradicional. Faz sentido?

Portanto, se divirta ajudando as pessoas e lembre-se que o fundamental é a sua neutralidade na hora de ajudar seu cliente.

Gostou desse estilo de post? Então escreve um comentário e publica, para eu saber se faço mais para você.