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O jeito “certo” de se jogar D&D 5e

Se você gosta de jogar D&D ou quer começar a se aventurar neste mundo, então este texto é para você.

Eu comecei meu contato com RPG já faz um bom tempo e eu e o D&D estamos juntos nessa jornada há cerca de 5 anos. E nessa experiência toda eu comecei a entender o que fazia sentido ou não dentro de D&D.

Hoje o D&D 5e é um sistema muito amado pois ele mistura a simplicidade de se jogar e a riqueza de um mundo complexo. Ou seja, ao mesmo tempo você pode ser um bárbaro que só ataca ou um mago cheio de magias que cada hora faz uma coisa diferente. Isso traz versatilidade e atrai tanto jogadores novos quanto mais experientes.

E por isso muitas pessoas usam o D&D 5e para jogar tudo – literalmente qualquer coisa. Já vi mesa futurista e de baixa fantasia usando esse sistema. E se você quer usar, fique a vontade! Não existe de fato um jeito CERTO de se jogar RPG, cada um adapta da melhor forma – por isso as aspas no título. Mas, para mim, existe um jeito de se jogar este sistema que faz você usar tudo que ele tem para oferecer – e é disso que irei falar.

Alta Fantasia

O primeiro aspecto a se entender sobre D&D é que ele é um cenário de Alta Fantasia. E o que isso significa? Basicamente significa que quase qualquer coisa pode acontecer. Em mundos, jogos e livros mundo afora existem 3 tipos de fantasia: baixa, média e alta.

No primeiro nível os elementos fantásticos são baixos, existindo alguns monstros ou focos de magia aqui ou ali. De forma geral, é um cenário bem ‘pé no chão’ e que aposta mais em um roteiro complexo do que em um mundo muito fantasioso. Um bom exemplo é Guerra dos Tronos!

No segundo, média fantasia, elementos fantásticos são mais comuns mas ainda não são necessariamente os responsáveis por mudar o destino do universo em questão. Isto é, existem mais magos, mais monstros e mais elementos fantasiosos, mas ainda não são tão poderosos assim. Dificilmente um mago irá parar o tempo ou um Deus irá interferir no destino do mundo. Um bom exemplo é o cenário de The Witcher!

Cyberpunk - Nuckturp
Um curioso mundo fantástico, por Terraform Studios

E, por fim, a Alta fantasia, onde basicamente tudo pode acontecer. Nesse tipo de cenário os elementos fantásticos são tão altos que elementos poderosíssimos como reverter o tempo ou viajar por entre os diferentes universos se torna algo real e talvez até comum. Deuses podem se relacionar e interagir com os seres do mundo e podem existir tecnologias e magias de destruição do mundo como o conhecemos. Um bom exemplo é o cenário de D&D.

Planos de existência

O segundo aspecto a se saber é que, além de ter uma alta fantasia, D&D é um cenário onde diversos planos de existência existem paralelos uns aos outros.

Nesse sentido existem planos elementais, planos inferiores, abissais, materiais, celestiais e assim por diante. E todos existem simultaneamente e podem influenciar um ao outro dependendo de como a história fluir. Agora, pare e pense um pouco nisso.

E se você soubesse que existem outros planos influenciando a Terra, como você acha que seria nossa vida? Incursões alienígenas talvez fossem mais frequentes. Pedaços do mundo poderiam sumir pois meteoros de outros planos poderiam chegar até nós. Lordes Demônios podem surgir do além devido ao erro de algum mago.

As possibilidades são imensas! E aqui é o ponto que quero deixar claro: o plano material é apenas um pontinho no universo – e um dos que tem menos poder de influência por sinal.

Tabuleiro dos Deuses

Por fim, unindo os dois pontos acima, eu gosto de pensar no plano material do D&D como um tabuleiro dos Deuses.

Ao se jogar D&D, classes como o clérigo e o bruxo obtém seus poderes diretamente de divindades. Ou seja, isso prova que os Deuses são presentes no mundo e têm influência sobre ele. Agora, porque eles fariam isso? O que um Deus ganha ao abençoar um clérigo ou um bruxo?

Na minha visão, para se fazer sentido tudo isso, os Deuses precisam desejar algo. E, se o personagem realizar o desejo dele, receberá poderes por isso. Claro, pode ser algo simples como “expanda a paz no mundo”. Mas, independente de complexidade, é necessário existir essa influência e deixá-la bem claro.

Deuses Panteão - Nuckturp
O chamado dos Deuses por Billy Christian

No meu entendimento, os personagens dos jogadores tem que se sentir pequenos perante ao poder divino dessas entidades. Eles devem saber e temer que estão sob influência de seres muito maiores e mais poderosos que eles e por isso pensar bem cada passo que eles dão.

Dessa forma, para mim, todas as histórias épicas de D&D devem ter elementos de divindades e outros planos presentes.

Jogando D&D do jeito “certo”

Claro, pode existir uma aventura curta de ir até uma masmorra e matar um dragão, afinal o jogo chama Masmorras e Dragões (Dungeons and Dragons). Ou você pode “hackear” o sistema e usá-lo de outras formas.

Mas se você quer realmente vivenciar o que esse jogo pode te proporcionar, então essa é a minha dica: jogue D&D como se o mundo fosse um tabuleiro dos Deuses.

Assim você terá elementos de alta fantasia, ameaças constantes e presenças das histórias mais épicas que seus jogadores podem encontrar.

E se quiser saber mais sobre D&D, aqui estão todos os nossos textos sobre o tema: ler sobre D&D.