Como se tornar um Mestre de RPG Profissional
Você já imaginou viver 100% do RPG? Nesse mês tive o prazer de receber o mestre Henrique Müller, do Papo Dado RPG, aqui no canal da Nuckturp para uma conversa incrível sobre mesas comissionadas e a realização do sonho de viver profissionalmente como mestre de RPG. E, posso falar? O Henrique não disse isso de brincadeira: ele agora vive exclusivamente do RPG, e a jornada dele tem muito a nos ensinar.
Asssim, neste post, vou compartilhar com você os principais insights dessa entrevista sensacional, mostrando como funciona a vida do Henrique como mestre de RPG profissional, o que diferencia um mestre hobbista de um mestre profissional, e como as mesas comissionadas estão transformando não apenas a vida dos mestres, mas também a experiência dos jogadores. Preparado para essa aventura? Então pegue sua forma favorita de anotação e vamos lá!
Mas antes… te convido a assistir a entrevista na integra e se divertir nessas 2h de bate-papo. 👇
O momento decisivo: viver 100% de RPG
Logo no início da nossa conversa, o mestre Henrique soltou a bomba que muitos mestres sonham em ouvir: ele agora vive 100% do RPG. Mas, como ele mesmo frisou, existe um mito que precisa ser quebrado de cara:
“A primeira coisa que a galera precisa ter em mente é que criar conteúdo não dá dinheiro, gente. Eu quero cravar uma faca no coração de vocês. A não ser que tu seja um youtuber que tem muitos milhões de visualizações, não vai dar grana.”
Essa verdade dura, mas necessária, foi o ponto de partida da jornada que fez o professor de Inglês, começar a criar conteúdo e focar em desenvolver suas mesas comissionadas. As pessoas ainda tem muita ilusão sobre criação de conteúdo, mas a verdade é que o conteúdo é uma ferramenta (ou experiência) de marketing que leva o teu produto. Ponto. Fato.
Mas, isso foi o impulso pro mestre Henrique migrar…
Da criação de conteúdo para a mesa comissionada
Curiosamente, a ideia de trabalhar com mesa comissionada não veio do Henrique inicialmente. Na verdade, ele era até contra essa prática! Ele tinha aquela visão romântica de que “o RPG é um hobby para jogar com os amigos” e que cobrar iria estragar tudo. Mas a realidade mostrou um caminho diferente.
“Eu sempre tive um problema muito grande de autoconfiança. Eu nunca me vi como um mestre bom o suficiente para cobrar das outras pessoas.”
No entanto, quando algumas pessoas começaram a perguntar se ele fazia mesas comissionadas, Henrique decidiu arriscar. Lançou sua primeira mesa e, para sua surpresa, deu super certo! A galera começou a elogiar, a gostar do que ele estava fazendo, e assim ele foi abrindo a segunda, a terceira mesa… Hoje, ele trabalha com nove mesas comissionadas simultâneas e já está planejando abrir mais duas. Serão 11 mesas simultâneas, algumas com período de 1 semana, outras a cada quinze dias.
O caminho das mesas comissionadas: como funciona?
Trabalhar com mesas comissionadas não é simplesmente “mestrar e receber”. Existe toda uma estrutura profissional por trás disso. Inclusive, o mestre Henrique compartilhou conosco que, desde o começo, ele decidiu streamar todas as suas mesas (obviamente com autorização dos jogadores). Isso não só aumenta a transparência do trabalho, mas também serve como portfólio para novos jogadores.
Além disso, todas as mesas do Henrique são quinzenais. Essa foi uma decisão estratégica de negócio: mesas quinzenais permitem ter mais mesas no total, o que aumenta a receita e também oferece variedade de experiências para o mestre. Pois, é importante ressaltar que quanto mais mesas você mestra, para pessoas distintas, mais experiência, manejo e capacidade de improviso você desenvolve.
A estrutura de negócio do Mestre de RPG
Quando você se torna um mestre de RPG profissional, você não é mais apenas um narrador. Você se torna uma empresa e isso é um racional que você precisa entender! Mestre Henrique explica:
“Eu me vejo hoje como uma empresa. Eu, Henrique mestre, sou uma empresa. Então eu tenho posicionamento da minha marca, o jeito que eu me comporto nas redes sociais, o jeito que eu apresento as minhas mesas, como que eu divulgo as minhas mesas.”
Isso significa que, além da mestragem em si, você precisa cuidar de:
- Marketing e divulgação (criar vídeos de apresentação, posts nas redes sociais)
- Relacionamento com clientes (atualmente, Henrique gerencia 32 jogadores!)
- Preparação de conteúdo (mapas, handouts, trilhas sonoras)
- Gestão financeira (precificação, recebimentos)
- Administrativo (agendamentos, gestão de grupos no WhatsApp)
É uma porrada de coisa para fazer, que muitos mestres nem contabilizam. Por isso, gosto de ressaltar que o mestre de RPG amador, que cobra pelas mesas comissionadas, não olha tudo isso. Já o mestre de RPG profissional traz o entendimento de negócio, receita e lucro.
Vamos explorar um pouco mais…

A diferença entre mestre de RPG hobbista, amador e profissional
Uma das partes mais esclarecedoras da entrevista foi quando conversamos sobre as diferenças entre ser um mestre hobbista e um mestre profissional. Porque, vamos combinar, muita gente acha que é só cobrar pela mesa e pronto. Mas não é bem assim, não é mesmo?
O peso da responsabilidade
O mestre Henrique é muito claro sobre isso:
“Existe uma diferença, o peso, a carga, a cobrança, ela é diferente. Eu sempre presei por dar pros meus amigos a melhor experiência, mas obviamente quando tem alguém te pagando para isso, a parada muda, o jogo muda um pouco.”
Quando você cobra pela sua mesa comissionada, você está assumindo um compromisso profissional. A partir daquele momento, você seta uma barra de qualidade e não pode mais baixar essa barra. Só pode aumentar! Isso cria uma pressão positiva que te força a evoluir constantemente como mestre.
E acredito, por mim mesmo, que essa evolução constante faz parte do desenvolvimento do profissional. Se você quer ser bom em algo tem que treinar sempre! Autoconsciência e processo de melhoria contínua… olha o corporetives aí.
Hobbista vs. Amador vs. Profissional
Mestre Hobbista: É aquele que joga com os amigos, investe seu tempo livre preparando sessões, e faz tudo pelo amor ao jogo. Não há compromisso financeiro, apenas o prazer de jogar.
Mestre Amador: Pode até cobrar um valor simbólico (R$ 20 a R$ 40), mas ainda não tem uma estrutura profissional definida. A preparação acontece em “doses homeopáticas” ao longo da semana, dividindo o tempo com o trabalho principal. Geralmente sua receita é para cobrir gastos com livros e comida da galera, não fica muito pro seu bolso.
Mestre Profissional: Vive do RPG ou está mirando neste objetivo. Tem estrutura de negócio, investe em equipamentos e materiais profissionais, mantém múltiplas mesas simultâneas, e trata a mestragem como seu trabalho principal. A preparação é diária e sistemática. A visão não é mais de jogo, mas sim de prestação de serviço.
O trabalho invisível por trás das sessões
Esse é um dos dos pontos que mais me chamou atenção na entrevista: o tempo que um mestre profissional dedica fora da mesa. Porque as pessoas olham e pensam: “Ah, são só 3 horas de sessão“. Mas tem muito mais acontecendo nos bastidores!
A preparação antecipada
O Henrique me contou que ele trabalha sempre com uma sessão de antecedência:
“A mesa que eu tenho hoje, ela já tá pronta. Eu acordei hoje de manhã com a minha mesa de hoje à noite pronta. Então hoje que que eu vou fazer? Eu vou preparar da semana que vem para já ter sempre tudo pronto.”
Isso significa que o trabalho de preparação é constante. Não existe “folga” no sentido tradicional. Portanto, enquanto um mestre hobbista pode preparar sua sessão durante a semana em momentos livres, o mestre de RPG profissional está sempre trabalhando em múltiplas sessões simultaneamente. Pois, ele está já desenvolvendo possibilidades (pois no RPG não há certeza) e precisa ter tudo antecipado. Inclusive porque deve se preparar para imprevistos.
O que envolve a preparação?
A preparação de uma mesa comissionada profissional vai muito além de ler o módulo, pegar o mapa, jogar no VTT ou imprimir. A preparação pode incluir:
- Pesquisa e criação de mapas: Ou criando do zero ou buscando mapas que se encaixem perfeitamente na narrativa. Como comprar o mapa do Czepeku ou fazer no Dungeon Alchemist.
- Criação de trilhas sonoras personalizadas: Para cada campanha, criando atmosfera específica.
- Preparação de handouts: Cartas, documentos, fotos de NPCs, objetos de cena.
- Estudo do cenário: Lendo livros de referência, assistindo vídeos, absorvendo material.
- Criação de divulgações: Vídeos de apresentação, posts nas redes sociais.
- Gestão de grupos: Mantendo jogadores engajados no WhatsApp entre sessões.
Aliás, esse último ponto do whatsapp é fundamental. Por exemplo, como as mesas do Henrique são quinzenais, ele precisa manter o hype entre as sessões:
“Imagina, tu joga hoje a sessão, tu só vai jogar daqui duas semanas, o hype às vezes morre. Então o que que eu tenho que fazer? Às vezes em uma semana já tem um, entendeu? Então eu como mestre fico lá dentro do WhatsApp instigando os caras.”
Gestão de jogadores e experiência
Trabalhar com mesas comissionadas trouxe para Henrique algo que poucos mestres hobbistas experimentam: a oportunidade de jogar com pessoas completamente diferentes todos os dias. Atualmente, ele gerencia 32 jogadores/clientes distribuídos em suas mesas, e cada grupo tem uma dinâmica única. Aqui vem um dos grandes presentes de ser mestre…
Adaptando-se aos diferentes estilos
Uma das habilidades mais importantes de um mestre de RPG profissional é ser camaleão, pois ter a habilidade de se adaptar é algo treinável e importante. O mestre do Papo Dado RPG compartilhou uma experiência interessante sobre sua mesa de Vecna:
“Essa mesa, a galera, todos eles são amigos. E cara, e eles são muito galhofeiro, velho. É um grupo assim que é tipo assim, eles engajam na história, mas cara, é piadola o tempo inteiro.”
No começo, achou estranho. Não era o estilo de jogo ao qual ele estava acostumado. Mas hoje, depois de mais de 20 sessões, é uma das mesas que ele mais se diverte mestrando! Por outro lado, ele tem outras mesas onde “a galera chora jogando”, com envolvimento emocional profundo nas cenas de roleplay.
Essa flexibilidade, essa adaptação, é essencial. Você, como mestre, precisa conseguir entregar a melhor experiência para grupos completamente diferentes, respeitando o estilo de jogo de cada um. E na verdade, ainda tem que manter-se fiel ao seu estilo e sua identidade como mestre de RPG.
O comprometimento dos jogadores
Uma das grandes vantagens das mesas comissionadas é o nível de comprometimento dos jogadores e do próprio mestre. O mestre Henrique observou:
“A mesa comissionada traz uma consistência maior, um comprometimento maior, tanto do mestre, obviamente eu que tô prestando serviço, quanto dos jogadores que estão pagando para jogar. O cara fica meio assim de faltar a sessão, pô, não vou faltar uma sessão que eu tô pagando.“
Isso resolve um dos maiores problemas que mestres hobbistas enfrentam: jogadores que faltam constantemente, descomprometimento, e mesas que nunca saem do papel. Quando há um investimento financeiro envolvido, tanto mestre quanto jogadores levam mais a sério.
E reforço que isso fica muito mais legal se houver o pagamento antecipado. Pois, seja você mestre amador ou profissional, gerar a “dor financeira”, traz a recompensa do comprometimento.
A evolução como mestre de RPG
Um ponto que eu achei sensacional na nossa conversa foi quando perguntei ao mestre Henrique se mestrar de forma comissionada evoluiu seu jogo pessoal, aquele com os amigos. A resposta foi um sonoro sim!
“Os meus amigos falam isso, inclusive, que a minha capacidade de narrativa, a minha capacidade de improvisação, de reação em relação ao que os jogadores fazem, melhorou demais.”
O laboratório da experiência
Pense bem: quando você mestra múltiplas mesas semanais, com grupos diferentes, em campanhas diferentes, você está constantemente exposto a situações novas. Isso cria um laboratório de experiências que acelera absurdamente seu desenvolvimento como mestre de RPG.
Como o Henrique explicou na entrevista:
“Todo dia eu tenho um grupo de pessoas diferentes numa campanha diferente, com personagens diferentes, vivendo situações diferentes. Então assim, quando a gente faz na média tudo isso, a quantidade de situações que eu fico revendo ao longo da semana isso me dá possibilidade de ir adquirindo experiência.”
Cada situação que você resolve em uma mesa se torna um recurso mental para as próximas. Então, quando algo similar acontece em outra mesa, você já tem um framework para lidar com aquilo, precisando apenas adaptar ao contexto específico.
Muito legal ter esse laboratório como mestre, não é mesmo? Eu mesmo queria mestrar mais mesas para ter uma evolução mais rápida e preencher minha biblioteca mental com mais experiências.
Do hobbista ao profissional
A jornada de evolução de um mestre de RPG passa por várias fases:
Fase 1 – Mestre Iniciante: Está aprendendo as regras, lutando para narrar, provavelmente usando aventuras prontas. Há debates internos sobre insegurança, improviso e até sobre as regras do jogo escolhido.
Fase 2 – Mestre Hobbista: Já domina as regras do seu sistema favorito, consegue improvisar algumas situações, cria suas próprias aventuras. Inclusive, alguns já até fazem seus próprios mundos, principalmente aqueles que fazem nosso curso de worldbuilding. Só dizendo…
Fase 3 – Mestre Amador: Começa a pensar na mestragem de forma mais profissional, talvez cobre valores simbólicos, investe em materiais e começa a pensar na experiência dos jogadores. Ele já se posiciona diferente, mas ainda não se porta como um profissional.
Aqui gosto de salientar que este salto tem uma mudança de mentalidade: não é sobre o que você faz, mas sobre como faz o que faz.
Fase 4 – Mestre de RPG Profissional: Vive do RPG, gerencia múltiplas mesas, tem processos estabelecidos, trata como negócio, gera receita com outros produtos e serviços.
O interessante é que essa evolução não é apenas sobre habilidades técnicas. É também sobre mentalidade. Portanto, quando você começa a tratar a mestragem como um serviço, você naturalmente eleva o nível de qualidade que entrega.
O mercado de mesas comissionadas no Brasil
Uma das realidades que conversamos durante a entrevista é que o mercado de mesas comissionadas no Brasil ainda está se estabelecendo. Diferente de países como Estados Unidos, Europa e Austrália, onde ser um mestre de RPG profissional já é algo comum, aqui ainda existe muito preconceito. Porém, vale falar que nesses países também há os membros do clã puro hobby, mas já são mercados mais desenvolvidos.
Quebrando o tabu
Muita gente ainda tem aquela mentalidade de que “RPG é hobby” e que “cobrar vai destruir o hobby”. Mas a realidade é bem diferente. Como pontuamos na entrevista, ser mestre exige habilidades específicas, demanda muito trabalho, e tem todo o direito de ser remunerado.
Aliás, vou te fazer uma pergunta: você pagaria para ter aulas de música? Para fazer um curso de fotografia? Para contratar um personal trainer? Claro que sim! Então por que seria diferente com um mestre de RPG?
Aliás, tem muita coisa que você talvez pague que poderia ter de graça. Só uma reflexão, tá certo?
As diferentes necessidades
Outra coisa importante que discutimos é que mesas comissionadas atendem diferentes necessidades:
- Jogadores sem grupo fixo: Pessoas que querem jogar mas não têm um grupo de amigos disponível.
- Jogadores querendo experiências diferentes: Aqueles que querem experimentar outros sistemas ou estilos de jogo.
- Grupos que precisam de mestre: Amigos que querem jogar juntos, mas todos querem ser jogadores.
- Jogadores buscando qualidade superior: Pessoas dispostas a pagar por uma experiência mais profissional e imersiva.
Além disso, mestrar de forma comissionada também beneficia quem joga. Como a Ginny Di falou em um documentário sobre receber dinheiro para mestrar RPG: “Às vezes você quer encontrar experiências melhores do que já tem, e pagar pode ser sua única opção para isso.“
A importância do tempo
Uma coisa que ficou muito clara na nossa conversa é que tempo é o recurso mais valioso de um mestre de RPG profissional. Henrique compartilhou que hoje seu maior problema é justamente o tempo. Pois, ele tem vários sistemas que gostaria de jogar como jogador (Chamado de Cthulhu, Vampiro, Tales from the Loop), mas não consegue porque está trabalhando.
“Hoje o meu grande problema é tempo. Tem tanto sistema que eu quero jogar, mas no mesmo dia que eles vão jogar, eu tenho uma das minhas mesas. Isso é outra coisa que a mesa comissionada traz: uma consistência maior, um comprometimento maior.”
Isso é trabalho, galera! Não é “jogar RPG e ganhar dinheiro fácil”. É dedicar seu dia inteiro a preparar sessões, estudar materiais, criar conteúdo, gerenciar jogadores, e entregar a melhor experiência possível. Portanto, se você está pensando em seguir esse caminho, saiba que você não vai “parar de trabalhar”. Você vai apenas mudar de trabalho! Faz sentido?
Isso tem que estar na sua mente, mas calma que não precisa ser uma mudança brusca e louca. Tudo tem que ser uma decisão seguida de planejamento.

Como começar sua jornada como mestre de RPG profissional
Se você chegou até aqui e está pensando “caramba, eu quero fazer isso também”, deixa eu te dar alguns direcionamentos com base na conversa que tive com o mestre do Papo Dado RPG, o generoso Henrique Müller:
1. Comece como Hobbista
Antes de pensar em cobrar, você precisa ter experiência. Mestre para seus amigos, teste suas habilidades, desenvolva seu estilo. Não existe atalho aqui.
2. Invista em sua evolução
Estude! Assista outros mestres, leia livros sobre narrativa e mestragem, faça cursos (nossa Academia de Mestres de RPG é um ótimo começo!), pratique diferentes técnicas. Quanto mais você investe em si mesmo, melhor mestre você se torna. E já fica ligado no MesaQuest Academy, vai ser um portal que te levará para outros niveis.
3. Comece pequeno
Não precisa largar seu emprego amanhã. Inclusive, acho isso uma burrada extrema. Uma transformação precisa de uma agenda, um projeto, precisa de planejamento. Comece com uma mesa comissionada enquanto ainda tem sua fonte de renda principal. Use isso para ganhar experiência e entender se é realmente isso que você quer.
4. Construa sua presença online
Crie conteúdo, mostre seu trabalho, construa uma comunidade. As pessoas só compram, se inscrevem ou se interessam por aquilo que conhecem. Por isso, o próprio mestre Henrique faz do Papo Dado RPG uma fonte de conteúdo para escalar seu negócio de mesas. Dá um look em seu youtube e instagram.
5. Trate como negócio
Se você vai cobrar, trate como negócio desde o início. Tenha processos, seja profissional na comunicação, invista em materiais de qualidade, e sempre busque elevar a experiência que você oferece. Inclusive, já indico fortemente o MesaQuest como local para você gerenciar suas mesas, sua renda e até desenvolver seu marketing.
6. Seja paciente
Roma não foi construída em um dia. O mestre Henrique levou tempo para chegar onde está, testando, errando, aprendendo. O caminho para se tornar um mestre de RPG profissional é uma jornada, não um destino.
O futuro das mesas de RPG comissionadas
Conversando com o Henrique, fica claro que o mercado de mesas comissionadas no Brasil está apenas começando. Pois, cada vez mais pessoas estão descobrindo que é possível ter uma experiência de RPG de alta qualidade pagando por isso. E cada vez mais mestres estão descobrindo que podem transformar sua paixão em profissão.
Além disso, a pandemia acelerou muito a adoção de jogos online, o que tornou as mesas comissionadas virtuais muito mais acessíveis. Não importa onde você esteja no Brasil (ou no mundo!), você pode contratar um excelente mestre e jogar RPG.
Inclusive, eu tenho começado a conversar com mestres brasileiros na Australia, Nova Zelândia, EUA e Inglaterra. Onde já é muito comum eles mestrarem por valores bem diferenciados em eventos, aniversários e até corporativo.
O que estamos vendo agora é a profissionalização do mercado. Mestres que eram “amadores” estão evoluindo para profissionais. Jogadores estão elevando suas expectativas. E o hobby como um todo está crescendo e amadurecendo. Isso vai elevar e amadurecer toda uma cadeia de fatores.
O sonho é possível
Finalizando nossa conversa, eu perguntei ao Henrique se ele tinha algum conselho final para quem sonha em viver de RPG. A mensagem dele foi clara: é possível, mas dá trabalho. Óbvio. Trabalho dá trabalho, senão não seria trabalho, não é verdade?
Viver de RPG não é viver sem trabalhar. É trabalhar todos os dias, mas trabalhando com aquilo que você ama. Uma dedicação do seu tempo, sua energia e sua criatividade para proporcionar experiências incríveis para outras pessoas. Assumindo a responsabilidade de ser profissional em tudo que você faz.
E, acima de tudo, é lembrar que você não precisa ser perfeito para começar. Como o mestre Henrique mesmo disse:
“Eu sempre tive um problema muito grande de autoconfiança. Eu nunca me vi como um mestre bom o suficiente para cobrar as outras pessoas.”
Mas ele começou mesmo assim. Lançou sua primeira mesa de RPG comissionada, aprendeu com a experiência, e foi melhorando. Hoje, ele tem jogadores disputando vagas em suas mesas, tem pessoas que jogam em múltiplas campanhas com ele, e vive o sonho de trabalhar 100% com RPG.
Se o Henrique conseguiu, você também pode! Basta começar, se dedicar, e tratar a mestragem com o profissionalismo que ela merece. Portanto, se você é um mestre de RPG que sonha em viver disso, minha dica é: comece hoje. Não espere estar “pronto” ou “bom o suficiente”. Comece, aprenda no caminho, e evolua constantemente.
E se você quer aprender mais sobre como se tornar um mestre melhor, não esqueça de conferir nossa Academia de Mestres de RPG aqui na Nuckturp. Temos aulas gratuitas no youtube e muito conteúdo para te ajudar nessa jornada!
Além disso, se você quiser assistir à entrevista completa com o Henrique, o vídeo está disponível aqui no nosso canal. É uma conversa de quase duas horas, recheada de insights valiosos e histórias incríveis. Vale muito a pena!
Nos vemos nos próximos posts! Até logo.

